Arquivo | novembro, 2010

Para Descansar em Paz

3 nov

Nosso modo de vida é responsável por grandes impactos no meio ambiente, e a morte também. Você já parou para pensar que a maneira como é realizado um funeral também gera consequências para a natureza?

Segundo dados publicados pela Revista Super Interessante em 2008, só na Índia, 50 milhões de árvores são cortadas, anualmente, para alimentar a queima de cadáveres, emitindo 8 milhões de toneladas de carbono. No Reino Unido, 16% das emissões de mercúrio são provenientes da queima das obturações dentárias em crematórios. Nos EUA,  1,6 milhões de toneladas de concreto são utilizadas todos os anos, para a construção de túmulos.

Na China, é proibido enterrar corpos inteiros desde 1991, os motivos? Falta de espaço nos cemitérios, poluição e  desmatamento provocados pela produção de caixões de madeira. Pensando nisso, uma empresa espanhola criou urnas funerárias biodegradáveis fabricadas com areia e proteínas naturais. Suas vantagens:  não ocupam espaço, não poluem e não é necessário cortar árvores para fabricá-las. O  tempo médio de desintegração é de seis a nove meses e o preço varia entre 200 e 500 iuanes (US$ 29 e US$ 74)

Defendida por alguns, condenada por outros,  a cremação emite óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono, enxofre e outros metais pesados. Também pode haver liberação de substâncias tóxicas provenientes de embalsamento. Uma alternativa  considerada  “ambientalmente  mais correta”  para lidar com a morte, é a ressomação. Em vez de queimar, o corpo é liquefeito por meio de uma hidrólise alcalina, que reproduz a decomposição natural – de maneira bem mais rápida. O resultado é um líquido rico em aminoácidos, peptídeos e fosfato de cálcio que, após filtrado, pode ser devolvido como água pura para o solo. (Eu é que não bebo essa água!) O processo consome 1/6 da energia e emite menos carbono do que a cremação.

 

O esquema publicado pela revista Galileu explica melhor o método:

De todas a sugestões para enterros mais sustentáveis que vi, a que mais gostei foi a de plantar uma árvore ou um arbusto sobre o local onde o corpo foi enterrado, em vez de túmulos de concreto. Fica registrado  aqui o meu último desejo, para poder descansar em paz,  mas que demore bastante para acontecer!