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Moda Consciente

12 abr

Há poucos anos, se me perguntassem o que achava de comprar artigos usados, responderia que detestava velharias pois trazem energia ruim, etc. Hoje, sou fã de móveis de segunda mão e confesso que tenho achado bastante interessante o conceito dos novos “brechós”  que não cheiram à naftalina,  não entulham as araras e prateleiras de roupas (o que torna impossível a missão de enxergar alguma coisa naquele emaranhado de pano amassado), e vendem suas peças já higienizadas. Sabe o que me fez mudar de idéia? A sustentabilidade que está por trás do mercado 2nd hand; se compramos peças que não estão em uso, diminuímos a demanda por produção de novos artigos e evitamos que muita coisa vá parar nos aterros sanitários. Existe energia melhor do que essa?!

Um lugar super bacana, que apostou no conceito de consumo responsável,  foi o Super Cool Market, na Vila Madalena. Lá dá para vender aquela roupa que está parada no guarda-roupa e decidir se quer receber em dinheiro ou crédito para escolher outra peça da loja. As peças “recicladas” à venda no local, seguem estilo contemporâneo e encontram-se em estado de novas.

E como pagar menos nunca sai de moda e atende a um dos princípios básicos do consumidor consciente (jamais estourar o orçamento!) aproveito para dar a dica do Colheita. O evento é organizado pelas minhas amigas Marina Sanvicente e Renata Castro e nesta edição traz o Recyclage, que incentiva a reutilização de roupas esquecidas no closet de pessoas conhecidas. A stylist Lara Gerin e o baterista Iggor Cavallera cederam peças pessoais que estarão à venda no local, tendo parte da renda revertida para o Instituto da Criança. Lá no Colheita também tem peças novas, de estilistas renomados, com descontos de até 80%!  Começa amanhã na Rua Cristiano Viana 67 casa 15.

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Upcycling

11 mar

Há dois anos, estive em Londres visitando um irmão e percebi que, além dos tradicionais containers para depósito de lixo doméstico reciclável,  presentes nas ruas de várias cidades européias, existem containers para depósito de roupas e sapatos. Chamou tanta atenção que tirei essa foto que acabou ficando perdida no meio das imagens turísticas do lugar:

Só hoje, “fuçando” na internet, descobri a história da LMB, responsável pelo destino dado aos objetos depositados ali, e resolvi escrever este post para finalmente resgatar minha fotinha.

Com o boom na indústria fashion dos anos 80 na Inglaterra, que passava por uma fase positiva economicamente, as pessoas passaram a jogar fora suas roupas, não por estarem velhas e desgastadas, mas simplesmente por estarem fora de moda.

Observando que a maioria das peças descartadas encontrava-se em ótimo estado, um dos sócios da LMB resolveu investir em um novo ramo de negócios que consistia, basicamente, em coletar roupas usadas, separar os tecidos, descosturar os pedaços e vendê-los.

Numa época em que os países africanos não possuíam condições para fabricar roupas de boa qualidade a preços acessíveis para a maioria da população, a empresa percebeu aí outro nicho de mercado, e começou a exportar as roupas de segunda mão.

E foi para facilitar essa coleta em grande escala, que criou os chamados “bancos de reciclagem” , os tais containers que vi espalhados pelas ruas londrinas.

A LMB tem hoje mais de 4 mil pontos de coleta espalhados pelo Reino Unido e recolhe de 170 a 200 toneladas de tecidos por semana. Desse total, 80% é reutilizado e exportado, 10% é transformado em retalhos, 5% vira feltro e apenas 5% acaba no lixo.

A julgar pela forte tendência apresentada na última Esthetica, salão de moda ética da London Fashion Week, o faturamento da LMB vai acrescentar alguns bons dígitos nos próximos anos, já que 90% das marcas do evento aderiram ao Upcycle, que nada mais é do que reaproveitar um material sem que ele passe por um processo de reciclagem.